Para entender o que causa, reconhecer os sintomas e agir com rapidez, é importante esclarecer as principais dúvidas, e, acima de tudo, aprender a prevenir essa doença cerebrovascular, que também está relacionada à saúde do coração.
O que leva uma pessoa a ter um AVC?
Diversos fatores podem aumentar o risco de AVC, mas o mais significativo deles é a hipertensão arterial. Quando não controlada, ela sobrecarrega os vasos sanguíneos, favorecendo o rompimento ou a formação de coágulos.
Outros elementos também elevam o risco:
- Colesterol alto, que contribui para o acúmulo de placas de gordura nas artérias, dificultando a circulação.
- Diabetes, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool aumentam a inflamação nos vasos e favorecem o surgimento de trombos.
- Sedentarismo, que compromete a saúde cardiovascular como um todo.
- Histórico familiar e idade avançada, além de eventos anteriores, como o AIT (ataque isquêmico transitório), que é um alerta para a possibilidade de um AVC mais severo no futuro.²
Quais os sinais antes do AVC?
Antes do AVC de fato, especialmente no caso de um AIT, é possível perceber alguns sinais, ainda que breves e muitas vezes ignorados:
- Fraqueza ou dormência súbita em um lado do rosto, braço ou perna
- Dificuldade para falar ou entender o que os outros dizem
- Visão embaçada ou perda de visão em um dos olhos
- Tontura, desequilíbrio ou perda de coordenação
- Dor de cabeça intensa, sem causa aparente
Esses sintomas são temporários no AIT, mas servem como um forte aviso. É essencial buscar atendimento imediato. Nesses casos, cada minuto pode impactar diretamente nas chances de recuperação.¹
Quais são os 3 tipos de AVC?
O AVC pode se manifestar de diferentes formas, com causas e abordagens clínicas distintas:
- AVC isquêmico (85% dos casos):²
É o tipo mais comum, que ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia o vaso e impede o fluxo de oxigênio e nutrientes para uma área do cérebro. Entre os subtipos, estão o aterotrombótico e o cardioembólico. - AVC hemorrágico (15% dos casos):²
Acontece quando há o rompimento de um vaso, provocando sangramento cerebral ou nas meninges. Esse tipo costuma ser mais grave e demanda cuidados clínicos ou cirúrgicos urgentes. - AIT (Ataque Isquêmico Transitório):³
É considerado um “mini AVC”. Os sintomas são os mesmos do AVC isquêmico, no entanto, o AIT é um importante sinal de alerta e exige investigação imediata para prevenir danos futuros.
Qual é a diferença do AVC para o derrame?⁴
Na prática, nenhuma. O termo “derrame cerebral” é a forma popular usada no Brasil para se referir ao AVC, que descreve o mesmo fenômeno: a interrupção no funcionamento normal do cérebro por falta de oxigenação, seja por obstrução (isquêmico) ou por sangramento (hemorrágico).
Diagnóstico e tratamentos⁵
O tempo é o fator mais determinante para a eficácia do tratamento do AVC. Por isso, o ideal é que o paciente chegue a um hospital capacitado em, no máximo, 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas.
O diagnóstico deve ser feito rapidamente por tomografia ou ressonância magnética, com máxima de até 45 minutos da entrada do paciente no pronto-socorro. A tomografia costuma ser o exame de escolha pela rapidez e acessibilidade.
Exames complementares que ajudam a entender a causa do AVC:
- Eletrocardiograma
- Ecocardiograma
- Ultrassom Doppler de carótidas
- Doppler transcraniano
- Exames laboratoriais
No caso do AVC isquêmico, o tratamento mais eficaz é a trombólise, em que um medicamento é administrado para dissolver o coágulo e restabelecer o fluxo sanguíneo.
Outra possibilidade é o cateterismo cerebral, em que o medicamento é injetado diretamente no trombo, ou o coágulo é aspirado com auxílio de um cateter, em um procedimento realizado por via femoral. Essa abordagem pode ser feita em até 6 horas após o início dos sintomas, dependendo da condição do paciente.
A recuperação do paciente, independentemente do tipo de AVC, depende de atendimento multiprofissional precoce. A reabilitação começa o quanto antes, e a prevenção de infecções e outras complicações também é fundamental para o prognóstico.
Como prevenir a doença cerebrovascular
A melhor forma de evitar o AVC é por meio de prevenção contínua, com foco nos fatores que estão sob nosso controle, como:
- Manter a pressão arterial, colesterol e glicemia sob controle
- Evitar o tabagismo e o uso de drogas, além do consumo excessivo de álcool
- Praticar atividades físicas regularmente
- Adotar uma alimentação equilibrada e com menos gorduras saturadas
- Realizar exames periódicos e manter acompanhamento com especialistas⁵
Essas medidas não apenas reduzem o risco de AVC, mas fortalecem a saúde do coração, do cérebro e de todo o seu corpo.
O AVC é uma das doenças cerebrovasculares mais graves e exige atenção redobrada. Entender seus sintomas, agir rápido no atendimento e adotar hábitos preventivos são ações fundamentais para evitar danos maiores e salvar vidas. Informação, cuidado e vigilância são os melhores aliados contra essa condição.
Referências
- Vida Saudável (Einstein). O que é AVC e principais tipos (acesso out/2022) https://vidasaudavel.einstein.br/o-que-e-um-acidente-vascular-cerebral-avc-e-quais-os-principais-tipos/
- Ministério da Saúde (Gov.br). AVC – sintomas, tipos e prevenção (acesso em maio/2025) https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/avc
- AIT: Ataque Isquêmico Transitório pode evoluir para AVC (acesso em jan/2023) https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/janeiro/ait-ataque-isquemico-transitorio-pode-evoluir-para-avc-alertam-especialistas
- Quais as causas do derrame? | Educação em Saúde Einstein (acesso em abril/2022) https://www.youtube.com/watch?v=PEch2LD0tgk&t=13s
- Vida Saudável (Einstein). AVC Isquêmico – principais sinais (acesso jan/2025) https://vidasaudavel.einstein.br/principais-informacoes-sobre-o-avci/